68% dos problemas nas obras do VLT é por culpa da 'Gestão Silval', diz relatório

O relatório técnico elaborado pela empresa paulista KPMG, apresentado nesta terça-feira (26) pelo governo do Estado, apontou que 68% da culpa nas obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) foram da gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que se encontra preso no Centro de Custódia da Capital (CCC). Os outros 32% seriam responsabilidade do Consórcio VLT. As desapropriações foram a principal ‘pedra no sapato’ para o avanço da obra, que deve custar mais R$ 603 milhões aos cofres públicos, totalizando assim mais de R$ 1,6 bilhão.

“Existe culpa do contratado e da gestão passada. No racional da auditoria independente, consta que 32% dos problemas é culpa do Consórcio VLT e 68% da gestão passada. Este raciocínio é importante, pois tem efeitos econômicos a todos os pedidos feitos pelas construtoras. Expurgando os erros, temos uma diferença de R$ 900 milhões em cima da mesa. Alguém tem que pagar esta conta”, disse o secretário-controlador geral do Estado, Ciro Rodolpho Gonçalves.
 
O secretário-controlador ainda explicou que sem a resolução destes problemas elencados, o governo não avança na obra do VLT: “Esses 32% é o mínimo que o Executivo considera para que seja resolvido pelo Consórcio. Sem isso, o estado não avança nesta negociação. Eu acredito que vamos ter um avanço na Justiça”.
 
O documento apresentado pela empresa paulista também sugere que antes do início das novas frentes de trabalho, sejam: analisados e aprovados os projetos remanescentes, concluídas todas as desapropriações e executados todos os re-serviços (sanar as irregularidades): “Esse governo não retoma esta obra se não limparmos estas pautas”, pontuou Ciro Gonçalves.
 
Também consta no relatório que o EGP (Escritório de Gerenciamento de Projeto) seja mantido durante toda a obra: “Dentro deste escritório é que se decide se está na hora de comprar um vagão em detento de se fazer uma obra de arte. Também permite analisar se é preciso comprar todos os trilhos, sendo que não está na hora dele. Era uma obrigação que ele funcionasse, mas isso não aconteceu”.
 
Problemas
 
Ao todo, 244 IPs (Identificação de Problemas) foram resolvidos sem manifestação do Consórcio VLT. 143 não foram acatadas pela gerenciadora e 177 foram respondidos pelo responsável pela obra. Destes, 67 são de natureza grave (fissuras, problema de estrutura, entre outros): “Porém, devemos deixar claro que não há nenhuma patologia que coloque em risco o empreendimento. No total, 35% dos IPs não foram resolvidos”, destaca o secretário-controlador.
 
Valor
 
O Consórcio VLT solicitou ao governo do Estado mais R$ 1.135.319.955,65 para finalizar o projeto (valores referentes a abril de 2015). Sendo assim, o custo total subiria para aproximadamente R$ 2,2 bilhões. Porém, a empresa responsável por elaborar o documento a pedido da Justiça, aponta que o correto seria R$ 602.742.401,26. Sendo assim, o VLT deverá custar pelo menos R$ 1,7 bilhão (valor aproximado). Este montante ainda pode aumentar, de acordo com correções.

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