Silval terá que explicar porque mandou Nadaf pagar R$ 100 mil em extorsão

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) será ouvido pelo delegado Anderson Veiga sobre sua participação na operação Liberdade de Extorsão, da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz). Ele seria o responsável por ordenar ao ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf que cedesse à chantagem de jornalistas, e pagasse R$ 100 mil para que não houvesse publicação de reportagens. Ele atualmente está preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) pela Operação Sodoma, também da Defaz.

“Pedro Nadaf repassou aos jornalistas três cheques para pagar a extorsão, sendo dois de R$ 30 mil e um de R$ 40 mil, perfazendo a quantia de R$ 100 mil. E o Nadaf declarou no depoimento que quem teria ordenado o repasse desses cheques seria o governador Silval Barbosa. Não tenho como falar se Silval tinha interesse ou não em barrar a publicação. Ele tem que ser ouvido. E é interessante ter em mãos subsídios para proceder essas oitivas também”, afirmou o delegado ao Olhar Direto.

No dia 12 de março, quatro jornalistas do Grupo Milas Comunicação, que administram os veículos de comunicação Centro Oeste Popular, Notícias Max e Brasil Notícias, foram presos preventivamente, acusados de coação e extorsão de pessoas, e de cobrar quantias entre R$ 100 mil e R$ 300 mil para não publicar reportagens contra empresários e políticos.

São eles: Antônio Carlos Milas de Oliveira, dono do Jornal Centro Oeste Popular, seus filhos Max Feitosa Milas, dono do Notícia Max, e Maycon Feitosa Milas. Também foi preso o editor-chefe do Brasil Notícias, com sede em Brasília (DF), Naedson Martins da Silva. O jornalista Antônio Peres Pacheco e o auditor  fiscal Walmir Corrêa também foram presos e já liberados.

Coincidentemente, uma das vítimas, Pedro Nadaf, foi preso em setembro do ano passado, durante a operação Sodoma, e responde judicialmente por crime de extorsão ao empresário João Batista Rosa em um esquema de venda de concessão de incentivos fiscais, no valor de R$ 2,5 milhões.

Novas vítimas

Além de Nadaf, a polícia já identificou outras quatro vítimas, sendo três empresários e um agente político. De acordo com o delegado, os empresários atuam em segmentos diversos, como construção civil, comércio e serviços. O delegado não informou a identidade das vítimas, para preservá-las, e destacou que nem sempre a vítima de extorsão cometeu algum crime que queria encobrir.

“Há vitimas de extorsão que não cometeram atos necessariamente ilegais. Outras cometeram atos que não são da esfera da Justiça Estadual apurar, ou que já são objeto de investigações ou processos em andamento. E outras podem ser que sim, que mereçam investigação da Defaz.  Nem todas as vítimas têm algo a dever. Muitas pessoas têm receio até de um comentário maldoso nos jornais. Tem gente que não quer, e paga para não ter sua imagem difamada ou caluniada. Em alguns  casos elas foram vítimas também de calúnia”, explicou Anderson Veiga. 

 

Fonte: Site Olhar Direto

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