Em cela do CCC, Nadaf implora para Zílio não contar negócio de R$ 1,5 milhão

Em depoimento espontâneo no mês passado, o ex-secretário de Administração de Mato Grosso, César Roberto Zílio, confidenciou que o ex-colega de primeiro escalão no palácio Paiaguás, Pedro Nadaf, lhe pediu que não entregasse um esquema para "compra clandestina" de 1,2 mil cabeças de gado. O diálogo sobre o negócio de R$ 1,5 milhão entre ambos presos à época na "Operação Sodoma" aconteceu numa cela em que ambos dividiam no centro de custódia de Cuiabá.

Hoje, Zílio está solto em decorrência por ter optado por um acordo de colaboração premiada e vem sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. Já Nadaf foi transferido do CCC e está numa cela do SOE (Setor de Operação Especial).

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, entre 2012 e 2014, Nadaf efetuou a compra dos animais de Zílio e usou o pasto das fazendas Campo Alto e Santa Bárbara, de propriedade de Zílio. Das 1,2 mil cabeças compradas pelo ex-secretário do então amigo, 486 já foram vendidas e outros 714 ainda estão escondidas na propriedade rural.

O negócio entre os dois ex-integrantes do palácio Paiaguás foi feito na "base do fio de bigode". "Com o propósito de ocultar estes bens, a transação foi toda realizada de forma clandestina, sem emissão das respectivas notas fiscais de venda e, sem registrar a aquisição e propriedade no órgão competente e na Receita Federal", assinala a denúncia da promotora Ana Cristina Bardusco.

CONTRADIÇÕES

Em depoimento ao delegado Lindomar Toffoli, Nadaf tentou ainda ocultar a propriedade dos animais alegando que todos já haviam sido comercializados. " A transação comercial foi admitida por Pedro Nadaf, quando inquirido pela autoridade policial em 17 de março de 2016, acompanhado por advogado, apresentando detalhes das tratativas, todavia, com o fito de ocultar patrimônio existente, sustentou que adquiriu cerca de 100 cabeças nas quatro vezes em que realizou negócios com o pai de César, tendo ao todo adquirido cerca de 400 cabeças, as quais já havia comercializado, portanto, não possuindo nenhuma cabeça de gado", explicou.

No entanto, César Zílio garantiu que ainda estão nas fazendas 714 animais de propriedade de Nadaf, "ressaltando que essa quantidade pode aumentar ante a possibilidade de terem dado cria e que as aquisições foram pagas com proveito de crime". Ele também confirmou que Nadaf usou cheques de fornecedores do Estado para honrar o negócio - Tractor Parts, Trimec, Dismafe e NBC.

 

Site Folha Max

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