Ex-candidatos entregam caixa 2 de Silval; fraude chega a R$ 500 mil

O delegado da Polícia Federal em Mato Grosso, Cristiano Nascimento dos Santos, confirmou que o dinheiro de caixa 2 da campanha eleitoral de 2010 em favor dos partidos que compuseram o bloco denominado Frentinha (PTC, PTN, PRB, PRP, PHS, PSC e PCdoB) serviu para financiar candidatos a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados naquele ano. “Foram candidatos aos cargos de deputado estadual e federal envolvidos naquela frentinha. O dinheiro não contabilizado é fato”, disse.

A investigação que culminou na deflagração nesta quinta-feira da "Operação Nanos" ainda falta identificar quem são os responsáveis pela operacionalização do esquema de caixa 2. A suspeita é que o esquema tenha sido arquitetado pelo empresário Wanderley Torres, dono da construtora Trimec, conforme delação premiada do ex-secretário de Administração, César Zílio, na "Operação Sodoma", deflagrada pela Polícia Civil.

Cristiano dos Santos ressaltou que os candidatos da Frentinha foram beneficiados com R$ 500 mil, mas ainda não é sabida a origem deste dinheiro. Destes candidatos da frentinha, nenhum foi eleito para mandato de deputado estadual ou federal. “Falta agora a investigação descobrir quem são os operacionalizadores. Também não sabemos ainda se é dinheiro desviado de serviços públicos prestados ou de propina de agentes públicos. Mas, o valor aproximado nas investigações é de R$ 500 mil para candidatos dos partidos nanicos. Os ex-candidatos confessaram que receberam o dinheiro e assinaram recibos simples de papelarias e não recibos eleitorais. As doações em pese não teriam lastro”, revelou.

Ainda foi detelhado que o inquérito policial que apura indícios de caixa 2 na campanha eleitoral de Silval Barbosa ao governo do Estado foi aberto em 2010. Porém, ganhou mais dinamicidade com o termo de colaboração premiada firmada pelo ex-secretário de Estado de Administração, César Zilio, perante à Justiça de Mato Grosso.

Segundo o delegado, outras fases podem ser deflagradas até para investigar se a mesma prática nãoa conteceu com grandes partidos. “O objetivo da investigação sempre foi tentar identificar a origem do caixa 2 direcionado aos partidos chamados nanicos e com as revelações feitas pelo delator César Zilio no âmbito da Operação Sodoma nós conseguimos encontrar algumas evidências que nos levaram a pedir essas ordens judiciais”, revelou.

O empresário Wanderley da Trimec não foi encontrado em sua residência e tampouco na sede da empresa, mas não é considerado foragido da Justiça.  Isso porque não há mandado de prisão nem condução coercitiva.

O empreiteiro terá que depor a Polícia Federal em data e horários a serem agendados. “Essa condição de foragido não existe. Nossa intenção é ouvi-lo novamente com informações mais precisas a respeito do grau de envolvimento das pessoas”, explicou.

O ex-governador Silval Barbosa já foi ouvido no inquérito policial e negou a existência de caixa 2. No total, a Operação Nanos cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Cuiabá. Cinco são em residência e outros dois em estabelecimentos comerciais "de pessoas ligadas a operaionalização do esquema de financiamento ilegal de campanha".

 

Site Folha Max

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