Nadaf faz depoimentos sigilosos no MPE e entrega barões de MT

Agora é oficial. O ex-secretário de Indústria e Comércio e da Casa Civil de Mato Grosso, Pedro Jamil Nadaf, tem prestado depoimentos sigilosos ao Ministério Público Estadual num acordo de delação premiada.

A confirmação ocorreu nesta segunda-feira, quando Nadaf foi intimado para comparecer a audiência de instrução e julgamento da ação penal referente a 2ª e 3ª fase da “Operação Sodoma”. O oficial de Justiça encaminhado para proceder a intimação na sede do SOE (Serviços de Operações Especiais), onde o ex-secretário cumpre prisão preventiva, esteve no local no último dia 1º de agosto.

O oficial foi informado que não seria possível intimar Nadaf, pois ele encontrava-se na sede do Ministério Público Estadual (MPE). Nesta segunda-feira (08), o oficial retornou ao SOE e, novamente, não encontrou Nadaf.

O agente prisional de plantão disse novamente que o ex-secretário estava na sede do MPE. Como a audiência está prevista para iniciar nesta terça-feira, o oficial se dirigiu ao Ministério Público para intimar o ex-secretário. Ele disse que Nadaf recebeu ontem a intimação às 15h44, na sala do CIRA (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos). “Fui informado que o réu Pedro Jamil Nadaf, está preso no SOE localizado ao lado da Delegacia de Capturas, Bairro Centro América, e ali sendo fui informado pelo agente Anderson Poleto, que o réu Pedro, estava na MPE, e voltaria só no final da tarde; retornei nesta data, ao SOE e o agente Anderson voltou a dizer que ele estava novamente no MPE, e ali sendo na sala Cira, procedi a intimação do réu Pedro Jamil Nadaf, às 15h44, o qual após a leitura do mandado, aceitou a contrafé que lhe ofereci, exarando a sua assinatura no anverso do mandado”, diz trecho do despacho.

O CIRA é um comitê criado na gestão do governador Pedro Taques (PSDB) que visa recuperar recursos da dívida ativa do Estado. Ele tem auxiliado os órgãos fiscalizadores a identificar sonegadores no Estado.

Além do MPE, fazem parte do comitê as secretarias de Segurança Pública, de Fazenda e Procuradoria Geral do Estado. Nos últimos dias, são fortes os rumores de que Nadaf pode estar colaborando com as investigações de crimes de corrupção em Mato Grosso.

A pedido do Ministério Público, Nadaf foi transferido do Centro de Custódia de Cuiabá para a sede do SOE. A intenção seria evitar contrato com outros réus que estão detidos no local, sendo eles os ex-secretários Sílvio César Correa e Marcel de Cursi, além do ex-governador Silval Barbosa.

Além disso, no último dia 4 de agosto, ele não compareceu a audiência de instrução referente a 1ª fase da “Operação Sodoma”, quando foi ouvido o servidor da Casa Civil, Hélio Leão de Souza. Ao final da audiência, a defesa dele solicitou que ele fosse reinterrogado em juízo.

A juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal, deferiu o pedido e agendou o depoimento para o dia 15 de agosto. A expectativa é de que o ex-secretário confesse e revele as fraudes que teriam ocorrido na concessão dos incentivos fiscais as empresas do Grupo Tractor Parts, de propriedade do empresário João Batista Rosa, colaborador das investigações. 

A informação da delação de Nadaf é negada pelos advogados de defesa do ex-secretário. O advogado Alexandre Abreu disse que ingressou com pedido de habeas corpus nas instâncias superiores.

Ontem, Nadaf teve um pedido de liberdade protocolado no Supremo Tribunal Federal. Pedro Nadaf está preso desde o dia 15 de setembro, quando a Delegacia Fazendária deflagrou a 1ª fase da “Operação Sodoma”.

Ele é apontado como operador de esquema de cobrança de propinas durante a gestão de Silval Barbosa.Desde então, ele teve outras duas prisões preventivas decretadas.

Uma na “Operação Seven”, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), que apura desvio de R$ 7 milhões na compra de uma área na região do Lago de Manso por parte do Governo do Estado. A outra prisão foi decretada na 2ª fase da “Sodoma”.

O ex-secretário é acusado de alterar a declaração de Imposto de Renda para ocultar o patrimônio. A manobra foi descoberta em análise de computador apreendido pela Delegacia Fazendária. 

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