Walter Dias Júnior revela plano de ex-vereador para matar juíza em MT

O presidente do Grupo Soy, Walter Dias Magalhães Júnior, considerado comparsa do ex-vereador João Emanuel, em fraudes milionárias, revelou que, após ter sido preso, no dia 26 de agosto, João Emanuel teria enviado um “salve” para a facção Comando Vermelho, do qual faria parte, ordenando o assassinato da juíza Selma Rosane Santos Arruda, titular da Sétima Vara Criminal de Cuiabá e responsável pelo decreto de prisão preventiva do ex-parlamentar, que responde pelo crime de estelionato. As informações constam no depoimento prestado ao delegado Flávio Henrique Stringueta, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil. 

Walter Dias Júnior declarou que João Emanuel lhe contou o plano criminoso em um momento de muito nervosismo. Ele mandaria matar a juíza porque ela estaria prejudicando seus negócios ilícitos, que lhe renderam R$ 50 milhões em golpes aplicados a investidores ludibriados e que foram desmantelados com a deflagração da Operação Castelo de Areia, no último dia 26.

“João Emanuel disse que falaria com o detendo Sandro Louco para concretizar o plano de matar a juíza Selma Arruda; que de acordo com o suspeito João Emanuel, Selma Arruda já havia recebido ajuda de seu pai, o ex-juiz Irênio Lima e não poderia estar desta forma a prejudicar os negócios desempenhados por ele”, diz trecho das declarações de Walter (Confira documento completo ao final da matéria).

O empresário, que também é acusado de estelionato e foi preso juntamente com João Emanuel, na Operação Castelo de Areia, disse que o ex-vereador tem proximidade com o Comando Vermelho por advogar para membros da facção criminosa em Mato Grosso. Walter afirma ainda que, no último dia 29 de agosto, quando passou pelo presídio do Carumbé, recebeu um recado de que João Emanuel havia mandado um “salve” para o Comando Vermelho e acabou entendendo aquilo como uma retaliação, para que não falasse nada que prejudicasse a situação do comparsa. 

Castelo de Areia

A operação efetuada pela GCCO no dia 26 de agosto desmantelou uma quadrilha que aplicava golpes em todo o estado de Mato Grosso, que teriam deixado prejuízos que ultrapassam R$ 50 milhões para ao menos sete vítimas identificadas até o início da operação. Uma delas contou à Polícia que João Emanuel teria usado um "falso chinês" se passando por investidor estrangeiro que faria negócio com a vítima, enquanto isso, João Emanuel fingia traduzir o que o comparsa dizia para ludibriar o investidor. Na operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, sete buscas e apreensão e uma condução coercitiva.

O principa alvo, João Emanuel Moreira Lima, estava internado no Hospital Santa Rosa por conta de uma cirurgia. Por causa disso, após ser liberado pelos médicos, ele conseguiu reverter a prisão preventiva para prisão domiciliar. Outros acusados são a acionista majoritária do Grupo Soy e esposa de Walter Dias, Shirlei Aparecida Matsuoka, o presidente do grupo Soy Walter Dias Magalhães Júnior, o funcionário do Grupo Soy Evandro Goulart, o ex-candidato a deputado federal Marcelo de Melo Costa e o advogado e irmão de João Emanuel, Lázaro Moreira Lima.

 

Fonte: Folha Max

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