Propina paga por posto bancou campanhas de 2012 e 2014 em MT

Parte do dinheiro desviado dos cofres públicos do Estado durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) foi utilizado para bancar campanhas eleitorais de 2012 e 2014, denunciou o Ministério Público do Estado (MPE). O esquema foi desbaratado nesta terça-feira (14), durante a quinta fase da “Operação Sodoma”, que apura crimes praticados por uma organização criminosa que agiu no Estado entre 2011 e 2014, durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O documento do MPE detalha que parte do dinheiro público, supostamente desviado pela organização criminosa, passou a ser utilizado para custear despesas de campanhas do ex-secretário de Administração, Francisco Faiad, preso na manhã de hoje.

A campanha eleitoral de 2012, na qual Faiad foi vice do então candidato a prefeito, Lúdio Cabral (PT), teria recebido aporte de R$ 1,7 milhão do esquema fraudulento. Os valores teriam sido obtidos por meio de pagamentos de propinas da Marmeleiro Auto Posto, no período de fevereiro a agosto de 2013. Lúdio Cabral foi alvo de condução coercitiva na operação.

Os valores oriundos do esquema contra o dinheiro público também teriam sido colocados na campanha de 2014 de Faiad, quando ele concorreu a deputado estadual, mas não foi eleito. Segundo a denúncia, R$ 916.875 mil foram recolhidos de setembro a novembro de 2013 pelo grupo. Os valores teriam sido destinados à formação de um caixa para uma futura campanha eleitoral do grupo político de Silval Barbosa no ano de 2014, grupo ao qual pertencia o ex-secretário, que disputou o cargo de deputado estadual.

De acordo com a denúncia, o ex-secretário de Administração teria ingressado em janeiro de 2013 como membro efetivo da organização criminosa liderada por Silval Barbosa. Ele teria herdado as práticas criminosas que eram cometidas pelo seu antecessor na chefia da pasta, César Roberto Zílio.

"Consta que ele teria recebido diversas missões, dentre elas, a garantia da continuidade do pagamento regular pelo fornecimento de combustível da empresa Marmeleiro Auto Posto Ltda., assim como sua manutenção como fornecedora de combustível para a frota de veículos do Estado de Mato Grosso", relata trecho da denúncia.

A Marmeleiro era a responsável pelo fornecimento de combustível para o Estado durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa e também durante o primeiro ano da gestão de Pedro Taques (PSDB).

De acordo com apurações da Defaz, com base em delações premiadas, a Marmeleiro e a Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática Ltda. possuíam contratos firmados de modo criminoso com o Governo do Estado, entre os anos de 2011 e 2014. A Polícia Civil apurou que as empresas eram utilizadas pela organização criminosa para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas.

Segundo a denúncia, em troca do pagamento para a empresa, que venceu o processo de licitação por meio de fraudes no certame, Faiad recebia parte da propina que deveria ser entregue à organização criminosa, no valor aproximado de R$ 192 mil.

De acordo com as investigações, o ex-secretário também seria responsável por ordenar a execução de um esquema para promover o desvio de receita pública por meio do consumo fictício de combustível de patrulhas da Secretaria de Transportes. “O que consta é que o consumo não ocorria, era criminosamente inserido na base de dados da Secretaria e da empresa Saga pela ação de servidores e administradores da empresa”, detalha parte da denúncia do MPE.

SODOMA 5 

A quinta fase da Sodoma foi deflagrada na manhã desta terça-feira (14). A investigação, presidida pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública, cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva e nove de busca e apreensão domiciliar, nos estados de Mato Grosso, Santa Catariana e Distrito Federal.

Além de Faiad, os mandados de prisão também foram cumpridos contra o ex-secretário adjunto da Setpu, Valdisio Juliano Viriato; o ex-governador Silval da Cunha Barbosa; o ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Cesar Corrêa Araújo; e o ex-secretário adjunto de administração, José Jesus Nunes Cordeiro. Entre os conduzidos coercitivamente para interrogatórios estão o ex-candidato ao governo do Estado, Lúdio Cabral (PT); o ex-secretário de Fazenda, Marcel Souza de Cursi; Wilson Luiz Soares; Mário Balbino Lemes Junior; e Rafael Yamada Torres.

 

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