Familiares de Silval receberam depósitos de R$ 1,8 milhão da JBS

Relatório elaborado pela Delegacia Fazendária (Defaz) apontou que familiares do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) receberam em suas contas, e de suas empresas, um total de R$ 1,8 milhão da empresa JBS, entre 2011 e 2016.

Os dados foram obtidos por meio da quebra de sigilo bancário autorizada pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, no âmbito da 2ª e 3ª fase da Operação Sodoma, a qual o MidiaNews teve acesso exclusivo.

Apesar da investigação em questão se tratar do suposto esquema envolvendo exigência de propina de empresários para a manutenção do contrato das empresas Consignum e Webtech com o Estado, o relatório cita o fato de a JBS ter recebido incentivos fiscais milionários e ilegais na gestão de Silval - 2010 a 2015.

Tais incentivos são apurados em outra ação da qual Silval já é réu, em que o Ministério Público Estadual (MPE) o acusa, e os ex-secretários de Estado Marcel de Cursi, Pedro Nadaf e Edmilson dos Santos, de concederem, de forma ilegal, R$ 73,5 milhões em incentivos fiscais à JBS.

Em recente delação à Procuradoria Geral da República (PGR), o empresário Joesley Batista confessou que pagou R$ 30 milhões em propina ao ex-governador para receber os incentivos.

A empresa devolveu R$ 376 milhões aos cofres públicos para se livrar da ação.

Silval estava preso desde setembro de 2015 por conta da Operação Sodoma, mas foi solto nesse mês após confessar os crimes e devolver R$ 46 milhões em bens.

QUEBRA DE SIGILO

Conforme o relatório, o familiar de Silval que recebeu os maiores valores do frigorífico foi seu irmão Cláudio da Cunha Barbosa. Ele foi beneficiário de 16 transferências bancárias da JBS, entre janeiro de 2011 a maio de 2016, que totalizaram R$ 920,2 mil.

O médico e empresário Rodrigo Barbosa, filho de Silval, recebeu R$ 470,8 mil da JBS em sua conta, em três transferências. Os depósitos ocorreram entre junho de 2014 e junho de 2015.

Rodrigo Barbosa chegou a ser preso durante a Operação Sodoma, mas foi solto pouco depois após pagar fiança de R$ 528 mil. Em sua confissão, o próprio Silval disse que o filho recebeu propina do delator Julio Tisuji, da empresa Webtech, no esquema apurado na operação.

Outro irmão de Silval, Antônio da Cunha Barbosa Filho, recebeu R$ 255,1 mil da JBS em 2011. Foram feitas sete transferências em sua conta, de janeiro a agosto daquele ano.

Outro beneficiário de transferências da JBS no valor de R$ 187,5 mil foi Alvacir Gasparetto, administrador da Rádio Educadora Nova Geração Ltda, cujos sócios são Rodrigo e Roseli Barbosa, mãe e filho.

Assim como Silval e Rodrigo, Roseli também chegou a ser presa em 2015, durante a Operação Arqueiro, mas foi solta dias depois por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ex-titular da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), Roseli é acusada de ter operado desvios na Pasta por meio de convênios com empresas que não prestavam serviços. O prejuízo teria chegado ao montante de R$ 2,8 milhões.

Conforme o relatório da Defaz, o administrador da rádio de Rodrigo e Roseli recebeu quatro transferências da JBS em sua conta, de fevereiro a agosto de 2011.

O documento com as quebras de sigilo deverá ser remetido ao MPE, que irá avaliar se as movimentações financeiras envolvendo os familiares de Silval e a JBS possuem lastro financeiro ou se foram oriundas de esquemas de corrupção. 

 

Fonte: Lucas Rodrigues - Midia News

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