Silval confessa esquema em área para pagar dívida de R$ 10 milhões com empresário

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) é o segundo a depor nesta quinta-feira na ação penal referente a quarta fase da “Operação Sodoma”. Ele é apontado como o líder da organização criminosa que desviou R$ 15 milhões dos cofres públicos através da desapropriação do bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá.

Silval deve confessar as fraudes denunciadas pelo Ministério Público. O ex-governador ainda deve revelar os beneficiários da propina. Segundo a denúncia, ele teria recebido R$ 10 milhões para pagar uma dívida com factoring.

 

VEJA TUDO COM DETALHES

16H16 - O ex-governador comenta que sofria pressão e extorsão do jornalista Antônio Carlos Millas, que queria receber R$ 800 mil para não revelar o esquema. Questionado pela juíza sobre quais seriam os integrantes do seu grupo político que fizeram com que ele contraísse a dívida com Piran, o ex-governador evitou detalhar o assunto citando a existência de um outro inquérito para tratar do assunto. "Foram compromissos da campanha de 2010, mas isso vou falar noutra investigação", frisa.

16H13 - Em relação a participação do ex-presidente da Metamat, João Justino Paes de Barros, no esquema comprando ouro para Marcel e Nadaf, o ex-governador foi catagórico, insinuando a existência de uma mentira. "Não conheço nada neste processo relacionado ao Justino. Mas uma coisa é certa: não se compra ouro no Norte do Estado com deságio de 30% e, se fizeram isso realmente, compraram ouro falso", diz o ex-governador, que alegou ter experiência na área mineral.

16H08 - O ex-governador revela que vários empresários procuravam o Governo para receber dívidas e era feita proposta de retorno pelo grupo. "Se o empresa´rio não aceitasse a proposta, nos iriamos recorrer e o empresa´rio não receberia tão rápido", explica. A juíza pergunta a Silval sobre a proposta feita pelo ex-secretário Marcel ao dono da área cobrando retorno de R$ 15 milhões. "Se o Silval encurralou o Antônio, não é do meu conhecimento e não dei ordem para o Marcel tratar com o Antônio", dispara. O ex-governador também afirma que desconhece a simulação de contratos entre empresas e diz que tomou conhecimento após ler o processo. 

16H03 - Silval isenta o ex-chefe de gabinete, Sílvio Correa, de participação no esquema. "O Sílvio despachou o processo comigo numa questão de praxe. Ele só soube do retorno quando estávamos presos", diz. Comenta que despachou apenas uma vez sobre o assunto com o ex-presidente do Intermat, Afonso Dalberto, e nega que o tenha chamado de "cagão" por temer assinar a desaproproiação. "Quem me conhece, sabe que esta palavra não é do meu vocabulário", salienta. Ele isenta também o ex-secretário de Planejamento de participação nas fraudes e diz que deu a ordem para se viabilizar orçamento para desapropriação. "Eu tratei disso só com Nadaf, Chico e Marcel", disse. Comenta que um dia no CCC questionou Nadaf se ele faria delação e disse que os dois poderiam caminhar juntos sem ameaça. "A minha relação com o Pedro até mesmo no CCC era de confiança", frisa. 

15H59 - Segundo o ex-governador, além dos R$ 10 milhões, R$ 200 mil foram repassados ao jornalista Antônio Carlos Millas e outros R$ 200 mil ao empresário Alan Malouf para o pagamento da festa de posse de Silval no ano de 2011. "Quem me disse isso foi o Nadaf e eu confio na nesta fala dele", frisa, ao dizer que somente tem conhecimento destes pagamentos. Detalha que os pagamentos foram feitos através de parcelas junto ao Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso). 

15H55 - Silval detalha que o ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves de Souza Neto, resolveu a questão orçamentária e o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, efetuou o pagamento da "dívida do grupo político". Silva explica que Nadaf lhe disse à época que o retorno seria maior do que a dívida de R$ 10 milhões com Piran. "Eu disse a ele que o que eles tirassem acima do que devia ao Piran seria deles desde que o Estado não pagasse mais nada", confessa. Silval diz não conhecer o empresário Filinto Müller, apontado como empresa´rio que intermediou o pagamento de Piran. "Não sei porque o Nadaf enaminhou esse pagamento na empresa do Filinto para depois pagar o Piran até porque o Nadaf poderia ter efetuado o pagamento diretamente ao Piran que trabalha com fomento. Fiquei chateado porque o Nadaf envolveu mais uma pessoa e até hoje não sei porque isso foi feito assim", esclarece.

15H50 - O ex-governador comenta que recebeu a informação de Nadaf e Lima que se houvesse o pagamento da área o grupo receberia o retorno de R$ 10 milhões para pagar Piran. "Daí, eu pedi ao Arnaldo para fazer o Orçamento, já que iria resolver um problema político com retorno de dinheiro. Daí, Pedro e Chico trataram com o proprietário", diz ao afirmar que desconhece o empresário Antônio Rodrigues Carvalho, dono da área, mas conhecia o advogado Levi Machado por ser membro da executiva estadual do PMDB. Silval esclarece que nunca falou com Levi sobre o assunto.

14H42 - Começa o depoimento de Silval Barbosa. Ele explica que o esquema na desapropriação do Jardim Liberdade iniciou com uma conversa com ex-secretário da Casa  Civil, Pedro Nadaf. Ele conta que esse era o caminho para saldar uma dívida de R$ 10 milhões com o empresário Valdir Piran feita pelo grupo político. "O Nadaf me sugeriu esse processo. O Chico Lima também tinha conversado comigo e me disse que tudo estava adiantado", assinala.

 

Fonte: Folha Max

Redes Sociais