Deputados cobram da energisa uma ampliação dos canais de comunicação com os consumidores

A crescente demanda por energia elétrica em Mato Grosso e a necessidade de ampliação da rede de atendimento foram temas da audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta segunda-feira (21). Atualmente, cerca de 30 mil famílias aguardam o fornecimento de energia e a estimativa é de que até 2019 a universalização esteja concluída.

Os dados foram apresentados pela concessionária de energia elétrica em Mato Grosso, Energisa, às agências reguladoras que participaram do evento, bem como representantes de consumidores e profissionais do setor de energia e os deputados estaduais Mauro Savi (PSB) e Dilmar Dal Bosco (DEM), requerente da audiência. De acordo com a concessionária, aproximadamente R$ 500 milhões deverão ser investidos, em média, por ano até 2018.

Mas mais do que ter acesso à rede de distribuição, muitos profissionais e consumidores requereram melhorias no setor de atendimento e relacionamento da empresa. De acordo com o deputado Dilmar Dal Bosco, a audiência partiu da demanda dos consumidores e de engenheiros que têm dificuldade em obter respostas da empresa.

“A concessionária identificou a necessidade de melhorar os canais de relacionamento com o cliente e vamos acompanhar, junto com as agências reguladoras, a aproximação da empresa com os consumidores e também a expansão da rede de distribuição e acesso à energia”, afirmou o deputado.

O diretor-presidente da empresa, Riberto José Barbanera, expôs todos os trabalhos realizados desde que a concessionária assumiu os serviços de distribuição de energia em Mato Grosso. Segundo o porta-voz da Energisa, os investimentos saltaram de R$ 244 milhões por ano, de 2009 a 2011, quando a Rede Cemat era responsável pela concessão, para R$ 472 milhões por ano, entre 2015 e 2018 (média estimada).

“Hoje Mato Grosso não tem mais problemas com relação à disponibilidade de energia, o que ocorre é que nem sempre o acesso está disponível e requer obras, o que pode levar algum tempo. Com relação à ampliação, anunciamos a redução do prazo de 2020 para 2019, tanto com relação ao programa Luz para Todos, quanto à universalização do acesso à energia”, detalhou Riberto Barbanera.

Porém, representantes municipais de diferentes regiões mato-grossenses reclamaram da qualidade dos serviços prestados, principalmente com relação à demora. Como foi o caso do vereador de Nova Guarita Heitor Balestrin, que relatou que há três meses foi solicitado um desligamento na rede para a poda de uma árvore e até agora não houve resposta da empresa.

“Quando tínhamos uma equipe de atendimento na cidade, os chamados eram atendidos mais rapidamente. Agora temos que esperar muito tempo, sem falar que a rede instalada foi para atender o município quando ainda era um distrito e não está mais de acordo com a demanda local, o que provoca problemas de interrupção no fornecimento”, afirmou Balestrin.

O problema, porém, não é restrito a quem está distante da capital. Evanilze Martins, da Gleba Boa Sorte, em Cuiabá, revelou que 136 famílias de agricultores aguardam a instalação da rede desde 2012 e que até hoje não obtiveram resposta. “A solicitação foi feita na época da transição da empresa anterior para a atual concessionária, mas até hoje não fomos atendidos”.

O presidente da associação de moradores do bairro Osmar Cabral, em Cuiabá, Clementino Gomes, reclamou que a agência que atendia a região do Coxipó foi desativada e o acesso do consumidor ficou mais difícil. “Quando tem que pedir um serviço ou fazer uma reclamação, o consumidor tem que ir até o centro da cidade ou então ligar no 0800. São mais de 150 mil moradores na região”.

Sobre os problemas de relacionamentos, o diretor da Energisa disse que as reclamações serão levadas em consideração e que a empresa vai investir na divulgação dos canais existentes, que são agências, telefone, aplicativo e internet.

O presidente da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos Delegados (Ager-MT), Eduardo Moura, afirmou que a agência monitora o trabalho da concessionária e que vai cobrar a aproximação com os consumidores e com os profissionais que atuam na área.

A demanda dos engenheiros é para que haja mais clareza nas exigências técnicas da empresa e rapidez nas respostas às solicitações feitas. Segundo o presidente em exercício do Conselho Regional de Engenharia (Crea-MT), Marcos Vinícius Santiago, muitas vezes os prazos de instalações não são cumpridos e falta mais atenção para especificar as exigências que os projetos devem para que as demandas sejam atendidas.

Mato Grosso possui 1,3 milhão de unidades consumidoras de energia elétrica. De acordo com a Energisa, a demanda por acesso é de 28 mil unidades já cadastradas, podendo chegar a 32 mil.

 

Fonte: Da Assessoria

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