PF suspeita que advogado está com pasta de deputado com documentos em MT

Os advogados Ricardo Spnelli e Ocimar Carneiro de Campos foram alvos de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (27) por, supostamente, auxiliarem o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) a ocultar documentos retirados "às pressas" de seu apartamento no dia 14 de setembro, data em que a Polícia Federal deflagrou a “Operação Malebolge”, que é mais uma fase da "Ararath. Conforme o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal monitorou o deputado Gilmar Fabris após ele ter saído de sua residência, que era alvo de busca e apreensão na operação.

De acordo com a petição, Fabris deixou sua casa antes das 6h00 da manhã, ainda de pijama, levando uma pasta preta. Gilmar Fabris foi preso justamente pela atitude.

Em depoimento a PF na ocasião de sua prisão no dia 15, Fabris contou que foi a um restaurante em companhia da esposa, da sogra, da cunhada e do concunhado. Porém, em diligências no estabelecimento, policiais federais identificaram pelas câmeras de vigilância que o advogado Ricardo Spinelli também esteve no restaurante. "Além dos citados familiares, havia outro indivíduo fazendo companhia a Gilmar na ocasião, indivíduo este identificado como sendo o advogado criminalista Ricardo Saldanha Spinelli", argumentam os procuradores.

Ainda de acordo com a PGR, pelas câmeras de monitoramento interna e externa do estabelecimento, os policiais federais puderam ver que, pouco depois, o advogado Ocimar Carneiro de Campos, que é concunhado de Fabris, esteve no local e foi até o carro do deputado pegar os documentos que foram entregues a Ricardo Spinelli. “Neste contexto, concluiu a Procuradoria-Geral da República que Ricardo Saldanha Spnelli guardou consigo e auxiliou na ocultação dos documentos subtraídos de sua residência por Gilmar Fabris e que, da mesma forma, Ocimar Carneiro de Campos integrou a empreitada criminosa ao auxiliar Gilmar Fabris a ocultar os documentos que interessavam a investigação criminal”, diz trecho.

A Procuradoria ainda citou que Ocimar é investigado na "Operação Ararath" pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e associação criminosa. Já Ricardo Spinelli não é apontado como investigado, mas atua na defesa do empresário Valdir Piran e também do ex-secretário Éder Moraes, também alvos da mesma investigação.

Com as suspeitas da PGR, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou os mandados de busca e apreensão no apartamento e no escritório de advogado Ricardo Spinelli, ambos no bairro Duque de Caxias, além do escritório de Ocimar no bairro Consil e em seu apartamento no bairro Santa Rosa. Para Fux, os dois advogados são suspeitos de cometerem o crime de embaraçamento de investigação.

Gilmar Fabris está preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) desde que se entregou a Polícia Federal no dia 15 de setembro, um dia após agentes irem a sua casa para cumprir o mandado de busca e apreensão. Ele é acusado de obstrução a Justiça. A Procuradoria-Geral da República pontou que o deputado não entregou os documentos que ele levou de seu apartamento a Polícia Federal e que este fato motivou os pedidos de buscas a endereços ligados aos advogados.

 

Fonte: Carlos Dorileo / Folha Max

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