Ministro do STJ manda soltar todos que foram presos na operação Esdras

O ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a soltura de sete pessoas envolvidas num esquema de obstrução a Justiça relacionada aos grampos ilegais. Todos detidos na “Operação Esdras”, deflagradas em 27 de setembro pela Polícia Civil ganharam liberdade.

Os beneficiados com os habeas corpus são os ex-secretários da Casa Civil, Paulo Taques,  de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira Junior, , de Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas, da Casa Militar, Evandro Lesco, o sargento João Ricardo Soler, o major Michel Ferronato e ainda a personal trainer Helen Christy Lesco. As prisões preventivas foram substituídas por medidas cautelares.

Mauro Campbell decidiu por soltar todos os envolvidos na “Operação Esdras” após avocar para si todos os inquéritos relacionados ao caso dos grampos. A alegação é de que o governador Pedro Taques (PSDB) é um dos investigados e possui foro por prerrogativa de função na corte superior.

Com isso, de todos os envolvidos no caso dos grampos, permanecem presos apenas o ex-comandante-geral da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, e o cabo Gerson Luiz Correa Junior. Eles foram presos com base no Inquérito Policial Militar (IPM) sobre os grampos ilegais e não têm relação com o caso de obstrução a Justiça.

As prisões dos investigados haviam sido decretadas pelo desembargador Orlando Perri. Elas ocorreram após a Polícia Civil descobrir uma plano para que o magistrado fosse gravado e, assim, fosse levantada sua suspeição.

A investigação contou com a colaboração do tenente-coronel José Henrique da Costa Soares, escrivão no Inquérito Policial Militar sobre os grampos ilegais no Estado. Ele foi cooptado pelo grupo sob ameaça e proposta de promoção na carreira para gravar uma reunião com Orlando Perri e, assim, obter frases que pudessem levantar a suspeição.

Uma câmera chegou a ser acoplada em sua farda. Todavia, ele recuou da proposta e colaborar e revelou a trama à Polícia Civil.

Com base nesta colaboração, a delegada Ana Cristina Feldner representou pelas prisões dos envolvidos, que foi deferida por Orlando Perri. Os advogados Saulo Rondon Gahyva, Rafaela Conte e Carolina Schuck atuaram na defesa do delegado Rogers Jarbas.

DEPOIMENTO AO MPF

Um dos únicos presos por conta do esquema de grampos ilegais no Estado, o cabo Gérson Luiz Correa Junior esteve nesta terça-feira na sede do Ministério Público Federal iniciando as tratativas para um acordo de colaboração premiada. A proposta será levada ao STJ para dar continuidade a possibilidade do acordo. 

Correa chegou a revelar alguns fatos relacionados ao esquema em depoimento à Polícia Civil. No entanto, a decisão do STJ em avocar os inquéritos dos grampos interrompeu as investigações. Na época, a delegada Ana Cristina Feldner disse que, em até 24 horas, o caso seria totalmente esclarecido.

Entre os fatos relatados por Correa Junior está o pagamento de R$ 50 mil por parte do ex-secretário Paulo Taques para iniciar a implantação das interceptações ilegais em 2014, durante a campanha eleitoral. Também revelou casos relacionados ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial COntra o Crime Organizado), onde foi montada uma "história de cobertura" para grampear o ex-governador Silval Barbosa e o ex-deputado José Riva numa investigação de ameaça a juíza Selma Rosane Santos Arruda.

 

Fonte: Gilson Nasser 

Site Folha Max

Redes Sociais