AL promove solenidade pela inauguração do Shopping Popular de Cuiabá

Antes, conhecido como camelódromo ou mesmo "paraguaizinho", o Shopping Popular, criado em 21 de abril de 1995, no bairro do Porto, recebeu uma nova estrutura que será inaugurada no próximo dia 21 de julho. Para comemorar essa vitória dos trabalhadores e clientes do local, a Assembleia Legislativa promove na próxima sexta-feira (10.7), às 19h30m, uma sessão solene em homenagem à reabertura e reestruturação do local.

O autor da proposta,  deputado Sebastião Rezende (PR), lembrou que a instalação definitiva dos trabalhadores é fruto de uma luta árdua e por isso é importante comemorar. “Nesta sessão solene, a Casa de Leis buscará homenagear homens e mulheres, que na união de forças, construíram, ao longo dos anos, uma história digna de reconhecimento e aplausos, e que indubitavelmente têm contribuído para o crescimento e desenvolvimento de Mato Grosso na geração de empregos e renda”, justificou o parlamentar Rezende.

Engenheiro civil, Rezende enaltece a visão do presidente da Associação dos Camelôs e seus associados em buscarem o resgate histórico na edificação da nova estrutura física, enaltecendo as molduras aparentes e arcos sobre as portas de acesso, utilizados nos casarões antigos, como as do Mercado Público (Museu do Rio), Casa do Artesão, Sesc Arsenal, Palácio da Instrução, entre outros prédios históricos que preservam o estilo colonial da Capital.

“O novo prédio do Shopping Popular une o fator histórico e as novas tecnologias da construção civil, com aplicação do EPS (isopor) em grande parte da obra, que é um material extremamente leve e permite uma construção sustentável para a região de clima tropical, além da preocupação com o consumo racional de energia elétrica e água”, avalia.

O presidente da Associação dos Camelôs do Shopping Popular , Misael Oliveira Galvão, lembra que entre o final dos anos 80 ao início dos anos 90, a economia do país estava "indo de mal a pior" e muitos pais de famílias acabaram sendo demitidos de seus empregos  sem conseguir voltar ao mercado formal de trabalho. Para  manter o sustento, optaram por realizar vendas diretas nas ruas da capital. As barracas eram abertas no centro da cidade e, para tentar sobreviver, cada comerciante vendia um tipo de produto. Com isso, as praças e ruas iam se transformando, sendo cada vez mais ocupadas por este tipo de comércio o que causou reação dos empresários locais e da prefeitura.

“À época, a adesão cada vez maior de vendedores gerou problemas, uma vez que Cuiabá não é uma cidade planejada, então tinha pouco espaço nas calçadas, e estas, cada vez mais ocupadas pelos comerciantes autônomos. Com as reiteradas abordagens das administrações, os comerciantes começaram a se organizar. Em 1992, aproximadamente 400 camelôs trabalhavam normalmente no centro da cidade quando a administração municipal iniciou um diálogo sobre a organização e retirada desses populares para locais apropriados, em uma tentativa de organizar a cidade, mas não houve entendimento”,destacou.

Como as conversações não tinham retorno, já que a prefeitura tinha anseio de “organizar” a cidade e os vendedores ambulantes temiam que a mudança acarretasse diminuição das vendas e, por consequência, o comprometimento do sustento da família, a prefeitura se valeu de maior autoridade e fez a retirada dos camelôs do centro da cidade em 21 de abril de 1995, alojando-os onde hoje é o Shopping Popular. “A prefeitura usou todo o aparato e nós não tivemos outra alternativa senão sair”, lembrou  Misael Galvão, hoje à frente da Associação dos Camelôs.

Tudo foi tomando novo ritmo, depois de 2007, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou a Medida Provisória nº 380, instituindo Regime de Tributação Unificada (RTU) na importação de mercadorias do Paraguai, o que garantiu  que a Cooperativa de Compras do Comércio Popular (Coocomp/MT) atuasse - pois a lei permite a importação, via terrestre, de mercadorias procedentes do Paraguai, mediante o pagamento unificado de impostos e contribuições federais incidentes. Misael assegura que “desde a aplicação da lei foi possível que muitos camelôs se tornassem empreendedores e pudessem realmente mudar de vida. A evolução das pessoas foi muito grande. Cerca de 90% dos ambulantes já são legalizados”, estimou.

“Desde então, diante de tantas lutas, vontade de crescer e fazer diferente, o Shopping Popular, enfim, pode se consolidar no mercado e mostrar para a população que, diferente do que se imagina, os produtos em sua maioria são legais, certificados, e com garantia. Isso traz mais segurança para aqueles que deixaram de ser vendedores ambulantes e passaram a ser empreendedores. Tudo valeu a pena, a classe amadureceu muito. A classe ganhou muito, ela esta organizada, fortalecida, tem representatividade. Hoje, qualquer associado pode chegar ao banco e dizer que trabalha no Shopping Popular com orgulho”, garantiu Misael.

Redes Sociais